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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Sacramentos-Baptismo-Conceito


A estrutura do Baptismo, a sua configuração como renascimento no qual recebemos um nome novo e uma vida nova, ajuda-nos a compreender o sentido e a importância do Baptismo das crianças. Uma criança não é capaz de um acto livre que acolha a fé: ainda não a pode confessar sozinha e, por isso mesmo, é confessada pelos seus pais e pelos padrinhos em nome dela. A fé é vivida no âmbito da comunidade da Igreja, insere-se num «nós» comum. Assim, a criança pode der sustentada por outros, pelos seus pais e padrinhos, e pode ser acolhida na fé deles que é a fé da Igreja, simbolizada pela luz que o pai toma do círio na liturgia baptismal. Esta estrutura do Baptismo põe em evidência a importância da sinergia entre a Igreja e a família na transmissão da fé. Os pais são chamados – como diz Santo Agostinho – não só a gerar os filhos para a vida, mas a levá-los a Deus, para que sejam, através do Baptismo, regenerados como filhos de Deus, recebam o dom da fé. Assim, juntamente com a vida, é-lhes dada orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro; orientação que será ulteriormente corroborada no sacramento da Confirmação com o selo indelével do Espírito Santo.

In Luz da Fé (n. 45), Carta encíclica Lúmen fidei, Papa Francisco


Quando uma criança vem ao mundo, os seus pais experimentam uma grande alegria. A criança é amada desde a sua concepção e, normalmente, a partir do anúncio da gravidez, tudo é preparado para que a vida deste novo ser seja bela e fecunda. O seu lugar no seio da família é preparado desde logo porque, em escassos meses, ela já está em casa e concentra a atenção de todos.
Acolher um recém-nascido é um acto de esperança: o amor dos seus pais permite-lhe existir e o ambiente envolvente fá-lo-á crescer. Os pais irão transmitir-lhe, pouco a pouco, o que julgam ser o melhor, o que lhes parece necessário à sua felicidade. Na verdade, os pais têm uma grande responsabilidade na transmissão dos valores fundamentais, em particular, ensinam os filhos a amar a vida e a compreender que ela não é feita somente de coisas materiais – o sacramento do Baptismo situa-se exactamente nesta perspectiva.
O Baptismo, sinal forte do amor de Deus, dom gratuito e sem condição do Criador, é oferecido à criança logo nos primeiros momentos da sua vida, segundo a prática continuada da Igreja. É o Pai do Céu que chama a criança à vida eterna – o desejo do Criador junta-se ao dos pais: que a criança, vinda ao mundo pelo amor do homem e da mulher, viva a felicidade plena, não somente sobre esta terra mas também por toda a eternidade. O desejo dos pais junta-se à vontade do Pai: procurando a melhor forma de amar o seu filho, são guiados por Aquele cujo amor é sem limites.

A Entrada na Igreja

Não há dúvida que o primeiro passo tem uma importância fundamental. Mas o primeiro passo perde todo o seu sentido se não for acompanhado de uma longa caminhada. O Baptismo celebra a entrada na Igreja, na família dos cristãos e, por isso mesmo, é indispensável que o desejo dos pais que apresentam o seu filho ao baptismo seja sincero, de tal modo que permitam ao seu filho avançar mais longe e, tanto quanto possível, que o acompanhem. Com o auxílio dos padrinhos e da comunidade cristã, eles poderão palmilhar este caminho admirável que lhes proporcionará o encontro com o Deus vivo e verdadeiro.

Que pedis à Igreja para o vosso filho?

A fé, o baptismo, a vida eterna.
Baptismo quer dizer “mergulho” e por isso nós compreendemos facilmente que se trata de um compromisso, de uma iniciativa de Deus que não quer outra coisa senão o bem dos seus filhos. O baptismo não é um rito mágico; as crianças não terão mais sorte nem escaparão às contingências da existência humana pelo facto de serem baptizadas. O Baptismo é um sacramento, isto é, uma iniciativa de Deus, um projecto de Deus, que procura o acolhimento do homem para se realizar plenamente. O baptismo é como uma semente introduzida no coração do homem – se essa semente nunca for cuidada, como poderá nascer uma árvore frondosa? Como poderá dar frutos?
A Igreja, no projecto de Deus para a humanidade, é o lugar da escuta e do crescimento na fé, é a reunião dos filhos de Deus que são chamados a celebrar o louvor de Deus na Eucaristia e nos outros sacramentos. Na Igreja aprendemos a escutar o Evangelho e a realizá-lo na nossa vida e, por isso mesmo, viver na Igreja é a garantia de que essa semente do baptismo dará muito fruto e nos proporcionará a vida eterna, esse dom de Deus marcado com o selo da sua misericórdia e bondade.

Porquê baptizar o meu filho?

O baptismo é muitas vezes vivido como uma festa da família: celebra o nascimento de um bebé, é um acontecimento que reúne as pessoas da família e os amigos, que muitas vezes proporciona alguns reencontros. O baptismo é ocasião de dar ao seu filho um padrinho e uma madrinha que terão com ele uma relação mais íntima e exprime ainda a vontade dos pais de seguirem a tradição familiar de educar o filho, fazendo-o partilhar dos seus valores e dos seus princípios morais – no fundo, querem transmitir-lhe aquilo que receberam.
Mas o Baptismo traz-nos muito mais. Ele não é, em primeiro lugar, uma festa da família, é uma celebração eclesial que nos faz entrar na comunidade cristã, na Igreja. Esta celebração tem um significado espiritual e evangélico duma grande riqueza – o Baptismo une-nos a Cristo, faz-nos participar da sua morte e ressurreição e purifica-nos do pecado. Dá-nos o Espírito Santo que traz o Amor aos nossos corações, torna-nos plenamente filhos de Deus e faz-nos assim entrar na família de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.

Não será melhor esperar que o nosso filho cresça para decidir se quer ou não ser baptizado?

Alguns pais não baptizam os seus filhos para lhes deixar a liberdade de fazer uma escolha quando forem mais velhos. Com efeito, não se pode decidir sem conhecimento de causa. A prática de baptizar os bebés remonta às origens da Igreja e a sua razão prende-se com o seguinte facto: na relação do homem com Deus não é o caminho do homem que devemos absolutizar – é Deus que tem a iniciativa. No Baptismo, Deus dá-nos o Seu Espírito e adopta-nos como seus filhos, antes mesmo de O conhecermos. Além disso, Jesus disse: “deixai vir a Mim as criancinhas” (Mt 19, 14) – a atitude de Jesus em relação às crianças manifesta que Deus ama as crianças ainda mesmo antes de estas O conhecerem.

Como preparar e participar no Baptismo?

Para preparar o baptismo do vosso filho, devem, antes de mais, dirigir-se ao Cartório da Igreja para tratar das questões burocráticas e marcar a data da celebração. Normalmente, na nossa Paróquia, os baptismos realizam-se nos segundos e quartos fins-de-semana de cada mês, da parte da manhã. Depois é necessário marcar um encontro dos pais com um casal do acolhimento da Paróquia que vos informará detalhadamente sobre todas as questões e que estará ao vosso dispor para qualquer dúvida. Desse encontro dos pais com o casal de acolhimento, será necessário marcar uma reunião dos pais e padrinhos, que normalmente se realiza com outros casais, com o objectivo de vos preparar para a celebração, para reflectir no sentido do vosso pedido e no compromisso que sois chamados a realizar na celebração deste sacramento.
Com efeito, os pais comprometem-se a dar uma educação cristã ao seu filho, a transmitir-lhe a luz do Evangelho, e, por conseguinte, a introduzi-lo na vida da comunidade cristã e da catequese, quando chegar o tempo oportuno. O Baptismo é, com efeito, o sacramento da fé, como testemunha a profissão de fé que os pais e padrinhos fazem no decorrer da celebração. Ao pedirem o Baptismo para o seu filho, os pais são convidados a reflectir nas suas motivações. Não basta dizer: “ele depois vai à catequese, se quiser”. Os pais e os padrinhos têm a importante missão de assegurar a transmissão da fé ao seu filho e afilhado.

Como deverei escolher os padrinhos do meu filho?

A escolha do padrinho e da madrinha é, habitualmente, inspirada por motivo de estima ou por laços de parentesco ou amizade, independentemente da sua fé cristã. No entanto, esta questão não pode ser vista apenas por critérios humanos, uma vez que o padrinho deverá ser o garante da fé do seu afilhado e, por isso mesmo, é chamado a dar o seu testemunho cristão junto daquele. Atendendo à sua missão, os padrinhos devem ser baptizados, crismados e assíduos à celebração da Eucaristia, devem ser membros da comunidade cristã e por isso testemunhas da presença de Jesus no meio dos homens. Para assumir esta missão devem manifestar sinais claros de pertença à comunidade cristã e de comunhão com a Igreja (por isso mesmo, se forem casados, deverão sê-lo pela Igreja Católica), de tal modo que possam ser garantes da fé cristã junto daquele a quem são chamados a exercer o múnus de padrinho ou madrinha.
Uma pessoa não católica pode ser testemunha do baptismo e assinar como tal no registo de baptismo, garantindo assim a dimensão humana da missão do padrinho sem lhe assumir a missão religiosa e eclesial.

O que diz o Código de Direito Canónico acerca dos padrinhos de baptismo?

Cânone 872 – Dê-se, quanto possível, ao baptizando um padrinho, cuja missão é assistir na sua iniciação cristã, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao baptismo a criança a baptizar e esforçar-se por que o baptizado viva uma vida cristã consentânea com o baptismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes.

Cânone 873 – Haja um só padrinho ou uma só madrinha, ou então um padrinho e uma madrinha.

Cânone 874 - §1. Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que:

  1. Seja designado pelo próprio baptizando ou pelos seus pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus;
  2. Tenha completado dezasseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se excepção;
  3. Seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar;
  4. Não seja abrangido por nenhuma pena canónica legitimamente aplicada ou declarada;
  5. Não seja o pai ou a mãe do baptizando.

                   §2. O baptizado pertencente a uma comunidade eclesial não católica só se admita juntamente com um padrinho católico e apenas como testemunha do baptismo.

Em que consiste a participação dos pais e padrinhos na celebração do baptismo?

No início da celebração, a pedido do celebrante, os pais exprimem porque desejam baptizar o seu filho e o que significa para eles este sacramento. Os padrinhos comprometem-se na missão de ajudar os pais na formação cristã da criança e no testemunho de vida e, em seguida, são convidados a traçar o sinal da cruz na fronte da criança, sinal de que a partir de agora aquela criança é marcada pela misericórdia de Deus que se manifestou, para nós, na morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Por vezes pede-se aos padrinhos e madrinhas para lerem os textos bíblicos e a oração dos fieis e, antes do rito do baptismo, os pais e padrinhos renunciam ao mal e ao pecado e professam a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. No fim do baptismo, assinam os assentos que são o registo deste acto público e inaugural na vida da criança.

Como decorre a celebração do Baptismo?

  1. Acolhimento – a celebração começa com o acolhimento do celebrante aos pais e padrinhos, através de um diálogo com eles sobre o nome escolhido para a criança e sobre a vontade de baptizar o seu filho. Depois, todos eles fazem o sinal da cruz na fronte da criança.
  2. Liturgia da Palavra – em primeiro lugar, proclama-se a Palavra de Deus para avivar a fé nos pais, padrinhos e demais familiares. Após a homilia do celebrante, que explica o sentido e a importância do Baptismo, dirigimos a Deus as nossas preces pela criança que vai ser baptizada e pelas necessidades de toda a humanidade.
  3. Celebração do Sacramento – em primeiro lugar, com as Ladainhas, pedimos a intercessão da Virgem Maria e dos Santos para aquela criança e terminamos com uma oração que pede a Deus que afaste a criança do mal e do pecado. Depois, os pais e os padrinhos renunciam ao mal e professam a fé comprometendo-se a educar a criança na vida cristã. E eis que chegamos ao momento central: o celebrante abençoa a água e derrama-a na cabeça da criança (ou mergulha-a na piscina baptismal), significando assim o seu nascimento para a nova vida, a vida de Cristo ressuscitado. A seguir, unge a criança com o santo crisma, o azeite perfumado e consagrado pelo Bispo que significa como a vida nova de Jesus Cristo a deve impregnar totalmente, para que viva sempre como Ele viveu. E, finalmente, dois gestos simbólicos da vida nova que se inicia com o baptismo: a criança é revestida com uma veste branca, e os seus pais e padrinhos acendem uma vela no círio pascal que representa a luz de Cristo ressuscitado.
  4. Conclusão – concluídos os ritos baptismais, todos juntos recitam o Pai Nosso, a oração que nos identifica como cristãos, onde nos reconhecemos como filhos de Deus ao chamar-lhe Pai. A celebração termina com a bênção da mãe, que leva o seu filho ao colo, do pai e de todos os presentes.

Quais os documentos necessários para baptizar o meu filho?

  1. Certidão de nascimento da criança
  2. Os padrinhos devem pedir na Paróquia onde foram baptizados documento que ateste o seu baptismo e crisma e, se forem casados, que prove que receberam o sacramento do Matrimónio.
  3. Se não pertencer à nossa Paróquia deverá trazer também o documento de transferência do baptismo emitido pelos serviços do Patriarcado de Lisboa.
  4. Ficha de inscrição que pode descarregar aqui no site da Paróquia.
  5. Deverá dirigir-se ao Cartório Paroquial três meses antes da data prevista do Baptismo para se providenciar a preparação dos pais e padrinhos e marcar na Igreja tudo o que diz respeito à celebração.