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Sábado, 18 de Novembro de 2017

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SILÊNCIO, ATENÇÃO E ORAÇÃO

Numa época, a de férias, em que muita gente liga o tempo de merecido descanso com barulheira, noitadas, excessos de bebida e desregramento sexual, escrever um texto sobre silêncio e atenção como condições essenciais para a oração, pode parecer algo realmente extemporâneo e até provocador.

Mas creio que não o é. Se conseguirmos aproveitar o tempo de férias para gozar de mais momentos de silêncio e fixação da atenção no realmente importante a nossa relação com Deus descobriremos outra qualidade de vida em nós. E poderemos servir melhor os outros.

Um luminoso artigo de Isabella Adinolfi: "La atención, condición necessaria" no Suplemento de "Vida Nueva" de 1 a 7 de Julho, realça como, para Simone Weil, «rezar não é outra coisa que orientar para Deus toda a atenção de que a alma é capaz». Em relação a esta atenção, aquela que se presta aos estudos escolares não passa de uma preparação e uma educação «para a atenção mais elevada e mais intensa que a prática de rezar requer». (p. 5) Para a luminosa pensadora que descobriu a beleza da oração recitando o Pai Nosso, em grego, enquanto introduzia o amigo e dador de trabalho na sua granja agrícola, Gustave Tibon, nos meandros da língua helénica, a «atenção é a substância da oração, pelo que, rezar de forma automática, sem prestar atenção às palavras pronunciadas mentalmente ou em voz alta, significa não rezar, ou pelo menos, não rezar verdadeiramente».

Surge então a pergunta: que é a atenção e como se desenvolve? Como se consegue prestar atenção? Como se educa para a atenção e para a concentração?

A atenção não resulta de um esforço físico de franzir o sobrolho e conter a respiração, contraindo os músculos. Também não é uma qualidade inata. Pressupõe um trabalho e exige um esforço, talvez maior que qualquer outro, mas trata-se de um esforço negativo.

O esforço de libertar a mente das preocupações, pensamentos e volições pessoais, esvaziando-se de si mesmo. «A atenção é a espera e, tal como a espera, pressupõe que se deixou de lado qualquer outra ocupação e qualquer outro fim, dirigindo-a por completo para o que está a suceder». Para prestar atenção, é necessário, quer o trabalho, quer o esforço com os quais a vontade e o eu se subtraem a si mesmos para se tornarem disponíveis e capazes de acolher e de se deixar plenificar pelo Outro. A atenção é o separar-se de si mesmo e voltar a si mesmo, como quando se inspira e expira. Com uma ressalva: se para conhecer a verdade é preciso prestar atenção, para estar atentos, é necessário desejar a verdade.

«Só um desejo bem orientado nos torna capazes de prestar atenção nos estudos. Mas só um autêntico amor pela verdade e por Deus nos torna capazes de os acolher na reflexão e na oração».

Ou seja, para Simone Weil, a oração implica uma disposição interior preventiva, uma preparação para o contacto com Deus. «Rezar é rasgar o próprio desejo e o próprio pensamento do cárcere do eu para o orientar para Deus. E o êxito da oração assim concebida é o de parecer-se com Deus, tornarmo-nos perfeitos como Ele é perfeito».

Na oração feita com total desprendimento e plena atenção, é o Deus amor do Evangelho que se torna presente. O silêncio não é tanto a ausência de sons, mas objecto de uma sensação positiva, mais positiva que a do próprio som. «Os ruídos, se os houver, só chegam a mim depois de terem atravessado esse silêncio.

E sinto Cristo mais realmente presente em mim, de uma forma mais tocante, mais nítida e mais cheia de amor do que na primeira vez em que experimentei profundamente essa presença».

Lucinda M. Vardey, uma empresária de sucesso que deixou tudo e constituiu uma comunidade leiga de mulheres contemplativas, em Toronto, sendo também uma notável teóloga, afirma algo, na esteira de Dorothy Day, que nos interpela: «As mulheres, estão muito sós na Igreja, mesmo quando estão casadas e têm filhos, porque não têm uma comunidade que lhes possa oferecer compreensão e direcção». Acrescenta: «A oração representa para mim a consciência de que Deus deve estar em cada coisa. Rezo de forma disciplinada, em silêncio, três a quatro horas por dia. Ofereço o meu trabalho para maior glória de Deus, rezo enquanto escrevo ou antes de pagar facturas; rezo sobretudo empurrada pela gratidão e para pedir conselho e orientação. Vivo uma vida contemplativa. Só saio para ir à comunidade ou à missa».

Se conseguirmos fazer uma descoberta deste género, que bem aproveitadas serão as férias e como a vida nos sorrirá de maneira muito diferente!!

Até Setembro, querendo Deus.

Carlos Nuno Vaz, In DM 29.07.2017


A PÁTRIA DO LAICISMO MILITANTE

A França descristianizou-se. A partir da Revolução Francesa e dos massacres

da Vendeia e até à reconciliação napoleónica foi o país anti-católico e anti-

-cristão por excelência.

Voltou a sê-lo na Terceira República, com as leis da Separação e uma campanha sistemática contra as congregações religiosas e sacerdotes católicos.

A cultura popular francesa manteve uma matriz cristã até meados do século XX, embora a elite intelectual e política dominante fosse já laica, republicana e profundamente anti-religiosa.

Em 2004, Jacques Chirac proibiu a ostentação de símbolos religiosos nas escolas a burca, o crescente e a cruz. O laicismo francês, mais do que reiterar a separação da Religião e do Estado e querer manter o factor religioso fora da esfera do político, sempre assumiu uma hostilidade activa, articulada e incessante à Igreja, às igrejas e à religião em geral. (…)

Em França, a laicité não foi tanto uma aplicação do princípio de separação, na teoria e na prática, do reino de Deus e do reino de César, mas antes uma forma de combate à Igreja Católica.

A guerra tinha raízes na ilustração voltairiana e, depois, na Revolução Francesa, com os massacres de católicos na Bretanha e na Normandia, até ao armistício napoleónico. (…)

O laicismo francês foi sendo exportado para os partidos progressistas e socialistas da Europa do Sul e América Latina, como Portugal e o México, onde a guerra contra a Igreja foi uma prioridade política. Em Espanha, em 1936, viria a dar lugar à perseguição e ao assassinato de milhares de religiosos e religiosas.

O conflito manteve-se em França ao longo do século XX, agudizando-se nos anos 30, com a radicalização política, causada pelo aparecimento na Europa dos movimentos comunistas e fascistas. (…)

Um dos objectivos da laicidade fora sempre a emancipação ética dos valores familiares e dos costumes sociais dos "preceitos divinos", libertando-os da moral religiosa. Daí a luta pela escola pública, a expulsão das congregações religiosas, o fecho dos seus colégios e a cessação dos apoios do Estado aos seus institutos.

Com o Maio de 68 chegava à Europa, via França, o mesmo espírito com outros matizes e por novos caminhos. A mensagem anarcopacifista da Califórnia e do movimento hippie norte-americano trazia uma contestação

que abrangia a moral religiosa, mas também a moral republicana, repudiando em bloco o sistema de valores e instituições tradicionais uns religiosos, outros laicos: "só era proibido proibir". (…)

Mas a partir de Maio de 68, os valores e conteúdos dessa moral laica e republicana, mesmo em competição com o cristianismo vinham laicizar princípios cristãos, eram substituídos pelo individualismo hedonista e consumista, que se reforçaria com o fim da Guerra Fria e a globalização.

Esta ética individualista e libertária via, naturalmente, as religiões como inimigas, já que o islamismo, o catolicismo, o cristianismo ortodoxo e as Igrejas protestantes organizadas tinham códigos e interditos, sobretudo em termos de moral sexual.

É este o espírito de que é herdeiro o Charlie Hebdo, um espírito anti-religioso activo, agressivo, contra as religiões monoteístas estabelecidas, "sobrevivências do obscurantismo e inimigas naturais da liberdade libertária", mas que no entanto se arrogava neutro, rigorosamente isento, indiferente à crença ou à descrença.

Agora o ataque era ao coração das religiões, mais do que aos seus interditos; um ataque à própria noção do Sagrado, ao centro vital da espiritualidade e da religiosidade.

Era aqui que na pós-modernidade se concentravam os velhos anarquistas e os novos laicista esperando as reacções dos ofendidos». (O ISLÃO E O OCIDENTE A GRANDE DISCÓRDIA de Jaime Nogueira Pinto, Edições D. Quixote)

Na verdade vieram as reacções e continuam a vir, por isso se apresenta tão oportuno quanto necessário fazer um esforço de memória para tentar compreender o porquê de algumas situações que não são tão lineares como nos querem fazer parecer. Nada acontece por acaso…

MARIA SUSANA MEXIA, In DM 03.08.2017


Roubo de igrejas: "Sem BI é como se as obras não existissem"

Directora do Secretariado dos Bens Culturais da Igreja diz que na base de dados de obras furtadas nos últimos anos constam já 600 peças, mas haverá muitas mais que não foram identificadas.

 

 

 

07-02-2013 1:48 por Ângela Roque

 

 

Só a inventariação do património religioso pode evitar que muitas obras roubadas se percam. O alerta foi deixado pela directora do Secretariado dos Bens Culturais da Igreja, Sandra Costa Saldanha, no habitual debate das quartas-feiras, na Edição da Noite, da Renascença.

Sandra Costa Saldanha confirmou que [...]


CATÓLICOS VOLTEM

Comerciais da TV Americana
Campanhas criativas de televisão e sites de catequese para chegar a milhões

As primeiras mensagens católicas começaram a ser exibidas na televisão em 1988, na preparação para o Jubileu do ano 2000.

Nessa altura, 3 000 católicos inactivos voltaram às suas paróquias locais.

Hoje podemos afirmar a eficácia da Televisão e o poder da Internet para a divulgação, ainda maior, ajudando centenas de milhares de pessoas a voltar a casa.


 

ANIMAIS NO PRESÉPIO


Na passada segunda-feira encontrei no facebook a figura de um boi e de um jumento com a seguinte legenda: mais dois no desemprego…
No brevíssimo comentário que fiz recomendei a leitura das páginas 62 e 82 do último livro de Bento XVI, «A Infância de Jesus». A propósito deste livro tem-se divulgado a ideia de que o Papa está contra a presença, no presépio, das figuras do boi e do jumento. Nada mais falso. Lê-se na referida página 62: «Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento».
O que se depreende do que Bento XVI escreveu é que quis explicar porque aparecem no presépio aquelas figuras.
No prefácio deste livro Bento XVI esclarece: «nele procurei interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, aquilo que Mateus e Lucas narram acerca da infância de Jesus, no início dos seus Evangelhos» (pag. 7).
No Evangelho diz-se que Maria colocou o Menino recém nascido numa manjedoura (pag. 60). A manjedoura, escreve o Papa, faz pensar nos animais que encontram nela o seu alimento (pag. 62).
No Evangelho não se fala de animais, acrescenta.
Como é que eles aparecem no presépio?
Transcrevo, literalmente, a explicação do Papa (pag. 61-62): «Aqui, no Evangelho, não se fala de animais; mas a meditação guiada pela fé, lendo o Antigo e o Novo Testamento correlacionados, não tardou a preencher esta lacuna, reportando-se a Isaías 1, 3: ’O boi conhece o seu dono, e o jumento o estábulo do seu senhor; mas Israel, meu povo, nada entende’.
Peter Stuhlmacher observa que provavelmente teve influência também a versão grega (na Setenta) de Habacuc 3, 2: ‘No meio de dois seres vivos (…) tu serás conhecido; quando vier o tempo, tu aparecerás’ (cf. Peter Stuhlmacher, Die Geburt des Immanuel, p. 52). Aqui, com os dois seres vivos, entende-se evidentemente os dois querubins que, segundo Êxodo 25, 18-20, estavam colocados sobre a cobertura da Arca da Aliança, indicando e simultaneamente escondendo a presença misteriosa de Deus. Assim a manjedoura tornar-se-ia, de certo modo, a Arca da Aliança, na qual Deus, misteriosamente guardado, está no meio dos homens e à vista da qual chegou, para ‘o boi e o burro’, para a humanidade formada por judeus e gentios, a hora do conhecimento de Deus. Portanto, na singular conexão entre Isaías 1, 3; Habacuc 3, 2; Êxodo 25, 18-20 e a manjedoura, aparecem os dois animais como representação da humanidade, por si mesma desprovida de compreensão, que, diante do Menino, diante da aparição humilde de Deus no estábulo, chega ao conhecimento e, na pobreza de tal nascimento, recebe a epifania que agora a todos ensina a ver. Bem depressa a iconografia cristã individuou este motivo. Nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento».
Mais adiante, na página 82, a propósito da presença dos Magos, Bento XVI escreve: «Assim como a tradição da Igreja leu, com toda a naturalidade, a narrativa de Natal tendo por horizonte de fundo Isaías 1, 3 e deste modo chegaram ao presépio o boi e o jumento, também leu a narrativa dos magos à luz do Salmo 72, 10 e de Isaías 60. E assim os sábios vindos do Oriente tornaram-se reis, e com eles entraram no presépio os camelos e os dromedários».
Em resumo: O Evangelho não refere a presença de animais junto do Menino recém-nascido.
A meditação guiada pela fé, lendo o Antigo e o Novo Testamentos correlacionados, cedo preencheu essa lacuna.
É falso afirmar, a partir do que Bento XVI escreveu, que o Papa está contra a presença da figura do boi e do jumento no presépio ou a desaconselha.

Silva Araújo, DM 29.11.2012