UMA EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA

Prior de Barcelos em terras de missão.

Mons. Abílio Fernando Alves Cardoso, autorizado a fazer uma experiência missionária, por cerca de três meses, na paróquia de Santa Cecília de Ocua, Diocese de Pemba, Moçambique. Os seus actuais encargos pastorais serão assegurados pela colaboração do Pe. José Figueiredo do Vale Novais e do Pe. Eduardo Miranda, C.E.S; Este texto, da autoria do senhor Arcebispo, inserido no chamado Movimento Eclesiástico que acontece todos os anos, foi lido com surpresa e interpretado com alguma apreensão, certamente porque inesperado. Porque assim foi percebido, torna-se oportuna uma palavra de mim próprio, que permita uma interpretação correcta, implicando a necessidade de me expor nas razões profundas da decisão. Faço-o com serenidade e transparência, como convém a quem se situa na Igreja como servidor do Povo de Deus.

Vem de longe, da infância mesmo, o meu apreço pelas missões. E o desejo de as conhecer por dentro nunca morreu ao longo dos meus 42 anos de sacerdócio com- pletados há dias. Quando o nosso Arcebispo assumiu uma paróquia de uma outra diocese - a de Ocua no norte de Moçambique - logo saudei a iniciativa como um enriquecimento para a nossa Igreja de Braga. Já quando em Paris, ao serviço dos portugueses emigrados, cheguei a sugerir intercâmbios entre dioceses, que pode- riam enriquecer os presbitérios.

Como a idade avança fazendo surgir a consciência da limitação das nossas forças físicas, certamente que não me julgo em condições de um compromisso estável com as jovens Igrejas. A esta razoabilidade não posso deixar de acrescentar as surpresas que o Espírito de Deus tem feito surgir na minha vida. E quero permanecer aberto às surpresas de Deus.

Só que o nosso Arcebispo tem insistido com os padres nesta partilha pastoral com a diocese de Pemba. E todos os anos lá vai mais uma equipa de Braga, com um sacerdote do nosso presbitério «cedido» por um ou dois anos. E porque não umas férias em território de missão, acrescenta o Arcebispo?

Ponderada a hipótese, surgem os entraves. O maior: e os compromissos paroquiais? Sabendo de fonte segura a facilidade das comunicações actuais, via internet, logo me pareceu desmoronar o principal obstáculo. Porque não partir ficando?

Exposto o meu pensamento ao senhor Arcebispo e o modo como pensava «partir ficando», logo ele acedeu sem qualquer entrave. E num breve encontro a três - Arcebispo, eu próprio e o P. Eduardo Miranda, que a Paróquia conhece bem e aprecia - logo o Arcebispo propôs tornar pública a autorização que, de bom grado, concedia. Escreveu «por cerca de três meses». Penso aproveitar a autorização para esta experiência missionária lá para Outubro, após a retomada da actividade pastoral na Paróquia segundo o Plano de Actividades que neste momento se encontra em elaboração e que, como habitualmente, será dado a conhecer nos finais de Setembro. Pensei em férias num contexto de experiência missionária. Sei que nem sempre o que se pensa se torna viável. É que espero que a vida pastoral na paróquia em nada diminuirá o seu ritmo e eu próprio continuarei a dinamizá-la à distância. Espero mesmo que se torne uma oportunidade de enriquecimento para todos, de modo especial para os diversos grupos da Paróquia, cujas lideranças sentirão a necessidade de se reforçarem e comprometerem mais ainda. Aliás, creio que tal vai acontecer em Barcelos, de modo semelhante ao que aconteceu em Vieira do Minho nos anos oitenta em que o meu biénio de licenciatura em teologia pastoral em Madrid, bem como mais dois anos logo a seguir ao serviço da Conferência Episcopal em Lisboa não impediram de continuar a acompanhar a vida das Paróquias. Ao olhar para esses anos de intensa actividade dou graças a Deus pelos leigos que encontrei e me ajudaram de modo que a vida paroquial em nada se ressentiu, bem pelo contrário: o compromisso laical saiu fortalecido.

No último Conselho Pastoral perguntei aos conselheiros qual o grau de maturidade cristã na nossa Paróquia. E senti-me confortado em reconhecer que temos um bom grupo de leigos empenhados na comunidade, que agem com espírito de serviço aos outros e porque compreenderam - sobretudo a partir das catequeses de adultos e da pregação constante sobre a adesão a Jesus que se vê no modo como agimos em Igreja - que a missão da Igreja arrança do Baptismo e que, portanto, todos os batizados são chamados à missão.

Somos ou não adultos na fé? A minha relação com Jesus cresce na Igreja e na Pa- róquia sem estar dependente da presença ou da ausência do sacerdote?

Esta será certamente uma ocasião privilegiada para que os cristãos de Barcelos dêem testemunho de uma Paróquia adulta e «trabalhada» pelo evangelho, comprometida na missão da Igreja e mais responsável diante da falta de ministérios ordenados. Porque lá, em Ocua-Moçambique, as 96 comunidades que constituem a Paróquia estão organizadas e animadas por leigos, independentemente da presença ou ausência do missionário. Não teremos nós de aprender com elas? Eu quero aprender...

O Prior - P. Abílio Cardoso

Autor: Paróquia Sta Maria Maior
Fonte: Boletim CONSTRUIR
Domingo, 28 de Julho de 2019 - 23:24:38

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