ARTUR SOARES

O povo acreditou. E agora?

O POVO ACREDITOU. E AGORA?

Em 1970, iniciei-me nas crónicas jornalísticas, normalmente artigos de opinião, naquele que foi um grande jornal da imprensa regional, o "Notícias de Famalicão", cujo director

era o grande padre António Guimarães, que me abordou para essa aventura: escrever. Infelizmente o "Notícias de Famalicão", acabou.

Escrevi a par do saudoso Cónego Fernando Monteiro, do Dr. Cândido Oliveira e outros. Pelo que, ainda hoje tenho gravadas na memória, as recomendações que me deu o padre Guimarães: “escreve o que quiseres para o bem da comunidade, mas nunca faltes à verdade, ao respeito pelos outros e ao respeito de ti próprio”.

Tais conselhos, que julguei normais e bons, fez eco, sobretudo, quando pensei na parte final do ensinamento: “e ao respeito de ti próprio”. Isto é, quem escreve não pode nunca pecar pelo silêncio do que vê, ouve e sabe, pelo bem e respeito da sua consciência.

Assim, não denunciar, não derrubar a mentira que se agita e trabalha, é transformar cronistas, ou homens de letras, em cobardes. E escrever, como já o afirmei dezenas de vezes, é destapar/destampar o mal que se pratica.

Nunca persegui ninguém, fisicamente, psicologicamente e muito menos alguma vez pratiquei qualquer assédio, pelo menos, que disso tenha consciência. E mais uma vez, pelo respeito a mim mesmo, tenho de escrever sobre as mazelas do meu país, sobre assuntos que, embora públicos, me aterrorizam.

Talvez, ninguém como eu, escreveu sobre o anterior Governo de Passos Coelho/Paulo Portas. Foram dois governantes medíocres para a resolução dos problemas de então, foram até mentirosos e muito mal fizeram a quem vivia do seu mensal ordenado ou reforma. Mas este Governo, este primeiro-ministro António Costa, tem sido de todos os governantes que Portugal teve, o mais maléfico, o que mais tem mentido aos portugueses. Mentiu quando tentou justificar a concretização do governo/geringonça. Mentiu quando levou o povo a acreditar que ia virar a página da miséria económica do país, dos salários e das reformas rapaceadas por Sócrates e Passos Coelho. Mentiu quando falou em investimentos para recuperar a economia e continua a mentir porque mantém um Governo não eleito pelo povo. A dívida portuguesa, recebeu-a com cento e trinta e sete mil milhões negativos e, hoje, atingiu a selvagem dívida de 244,9 mil milhões de euros, que o povo terá de aguentar e, continua a mentir, porque milhares e milhares de reposições dos pensionistas do Estado ainda não se fizeram e, outros milhares, passaram a receber menos este ano do que no anterior. Conheço um pensionista do Estado que teve uma reposição de três cêntimos mensais, para o ano que corre.

Perante tanta mentira, tanta banalidade, tanta mafiosa publicidade, tanto fanatismo pelo poder, tanta insensibilidade política, tanta falta de respeito pelos eleitores que não o elegeram… estamos perante um político perigoso, porque propagandista daquilo que não é e daquilo que não tem. Aliás, não se sabe bem porquê, este Governo somente tem dois ministros: Costa e Centeno.

O primeiro para mentir, sorrir, ironizar-se chafurdando política, prometendo tudo a todos com os tostões que Passos Coelho sacou, nomear amigos e familiares dos amigos para tachos no Governo e, o segundo, mantendo a austeridade, aumentando a dívida portuguesa e, como Costa, sorrindo.

Os restantes ministros e/ou secretários de Estado, gastam o tempo nas televisões e na angariação de cargos para os seus próprios familiares, dando mais a impressão de que somente são portugueses para adquirir empregos, os amigos, a família ou os militantes do Partido.

Tanta foi a mentira, a incompetência, a chafurda política, que, à excepção do mundo do trabalho privado, o serviço público nada em piscinas do desinteresse total, de confusão, balbúrdia, corrupção etc., onde só o povo sofre e os governantes sorriem, engordam e sem qualquer género de travões.

Revolta verdadeiramente ver neste Governo maridos e esposas, filhos e filhas, sobrinhos

e genros, onde tudo se arranja, se negoceia sem vergonha e sem pejo! Causa verdadeira revolta que o Estado queira saber como os donativos para os grevistas de enfermagem apareceram para atenuar perdas salariais e esquece que os fundos de greve são legais e muito antigos. É certo que tem de haver transparência e há que averiguar, mas é hipocrisia serôdia, bolorenta, desta gente, quando se sabe que políticos e Partidos políticos promovem angariação de fundos confidenciais, fundos que ninguém sabe o que servem, fundos que depois o povo tem de pagar: ou com benesses ou com empregos dados pela porta-do-cavalo. O povo, com reservas, acreditou nos três Partidos que suportam o Governo socialista e na sua propaganda. E agora, que fará o povo nas urnas de voto?

(O autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico).

 

Artur Soares, In DM 01.03.2019

Autor: Paróquia Sta Maria Maior
Fonte: Diário do Minho
Sexta-feira, 01 de Março de 2019 - 23:59:02

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