Maçonaria e democracia

Artur Soares

O líder do PSD, Rui Rio, levantou há dias o problema de os elementos que pertençam à Maçonaria, de o revelarem se, em funções na vida política. Pessoalmente, não vejo razões para que não o revelem, ou para que o revelem. Em democracia os cidadãos são livres de percorrer os caminhos que entendem, de seguir os ideais que entendem etc., desde que não prejudiquem o bem-comum. E se se pode combater ideias e atitudes, já o homem não deve ser combatido.

Em Portugal, a Maçonaria não tem virtudes, nem admiradores que “aceitem” de ânimo leve a sua existência, porque não se conhece a transparência com que se movimentam, embora se saiba o que pretende e se conheça como organização/hermética: só entra nela quem eles escolhem.

Como antes da primeira República, também, actualmente, o país tem a Maçonaria. Estes cidadãos organizados sob segredo, abundam praticamente em todos os partidos políticos – fortemente no PS, no PSD e no CDS – excepto entre os comunistas, porque ambas as ideologias são antagónicas: a Maçonaria pugna alcançar privilégios, poder, favores e tudo que ande à volta desse modus vivendi; os comunistas porque combatem tudo isso.

A história/acção conhecida no país da vida maçon, leva-nos aos acontecimentos violentos efectuados na queda da Monarquia, na perseguição concretizada a muitos portugueses e na roubalheira de bens móveis e imóveis que, ainda hoje, não foram devolvidos aos seus donos. É da história a influência política e a devida acção negativa maçónica na primeira República, onde se elevavam, possuíam, esbanjavam, tudo a favor da fome dos portugueses, da injustiça social e de uma liberdade que se foi transformando em libertinagem e em caos económico. Ora tal modus operandi, tantos interesses económicos que defendem – apenas e só para quem é maçon – leva tal organização a resguardarem-se do que são – embora não consigam esconder o que fazem – bem como a forma de como, onde e quando actuam.

Sendo os elementos maçons agnósticos ou laicos como gostam de se apresentar, toda a sua actuação tem normas, disciplina, tem fins que têm de ser atingidos e todos os seus membros têm de respeitar e militar para que a vida-maçon tenha continuidade e sucesso. Dizem – sem dizer abertamente – que no ideal maçon existem cristãos e entre estes Bispos católicos. Como é evidente estou fora dessa ideologia. Logo, não posso desmentir que no seu seio existam Bispos católicos. Todavia, a maçonaria combate o cristianismo, procura desacreditá-lo porque sabem que o ideal-cristão prega a justiça social, o pão que todos têm o direito de ter e que todos são filhos de Deus. A pobreza de uns e a infelicidade dos menos capazes, não pode ser a riqueza e a pujança de organizações que buscam os melhores empregos, os melhores ordenados sem os merecer e todo o género de privilégios e negociatas.

Não posso desmentir a militância de Bispos católicos na Maçonaria. Mas, o Movimento D’amore San Juan Diego – fiel ao Vaticano – na revista “Teológica” n.º 14, Marzo/Aprile de 1998, conseguiu publicar o Plano Maçónico Para a Destruição da Igreja Católica, dirigida a todos os Bispos católicos na Maçonaria, que consta de 36 normas-a-seguir e das quais apenas transcrevo duas por falta de espaço: “n.º 17 – ensinem que Jesus era somente um homem que teve irmãos e irmãs e que odiou aos que tinham o poder. Expliquem que ele amava a companhia das prostitutas, especialmente de Maria a Magdalena; digam que aconselhou de não obedecer aos chefes do Clero, digam que ele foi um grande mestre, mas que se desviou do caminho quando negou obediência aos chefes da Igreja. Desacreditem o discurso sobre a Cruz como uma vitória, ao contrário a apresentem como um fracasso”; n.º 22 – combatam a autoridade Papal, colocando um limite de idade ao seu exercício. Reduzam-na pouco a pouco, expliquem que é para preservá-lo do excesso de trabalho e fomentem nos vossos países a descida de todos os crucifixos nos estabelecimentos de ensino, nos hospitais e repartições públicas”.

Sabe-se muito bem que nestas duas das 36 normas dirigidas para serem cumpridas, muito disto se tem anunciado e concretizado: que Cristo não passou de um homem inteligente; que amou e teve filhos; que foi um fracasso a vitória da Cruz e assistimos à descida de todos os crucifixos em todos os lugares públicos. Maçonaria: gente desejada? Segundo o que sei e por mim, dispenso conhecê-los. Mas que o povo português tem o direito de saber quem é a Maçonaria e o que permite a democracia em relação a esta gente, lá isso tem.

(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico).

Artur Soares, In DM 26.03.2021

Publicado em 2021-04-01

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