E QUANTOS ABORTOS POR DIA?

H. José Esteves

Recentemente, circulou nos meios de comunicação social, sobretudo nas redes sociais, os números das causas de mortes no mundo entre 1 de janeiro e 1 de maio de 2020, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Os números dão que pensar e que falar, são surpreendentes e inimagináveis. Entre outras causas, foram mencionadas as seguintes: vítimas do novo coronavírus (Covid-19) 237 469 indivíduos; malária 327 267; suicídio 357 785; acidentes rodoviários 450 388; cancro 2 740 193; vítimas da fome 3 731 427; doenças infeciosas 4 331 251 e de aborto 14 184 388. 

Com estes números não podemos desvalorizar a pandemia do novo coronavírus, que pode ser mortal para qualquer um de nós. Devemos é valorizar a vida – não ao aborto, não à eutanásia –, cuidar dos idosos, das pessoas vulneráveis e em situações de risco, das crianças e recém-nascidos que morrem à fome, educar comportamentos, apoiar e investir em métodos pró-vida e paliativos.

Os números do aborto são assustadores. Chegamos mesmo a pensar se estes números são verídicos, se não houve engano na contagem. Pois, parecem que são reais e, ainda, não constam os milhares de abortos clandestinos que causam a morte do feto e da própria mulher. Se pensarmos que em apenas quatro meses foram impedidos de nascer mais de 14 milhões de bebés, ficamos sentidos e alarmados, questionamos o sentido da vida, chegamos a dizer “como é possível!”. Quantos bebés lindos e ternurentos não vieram ao mundo alegrar os idosos, quantos cientistas não nasceram, quantos professores não educaram e ensinaram crianças e jovens, quantos médicos não aliviaram as dores e curaram os enfermos, quantos investigadores não mostraram a sua inteligência, quantos religiosos foram impedidos de evangelizar, quantos homens e mulheres não constituíram família, multiplicaram e dominaram a terra, quantos homens e mulheres que não foram invadidos pela força do Espírito Santo, quantos homens e mulheres que… quantos e quantos!

Literalmente, desde o princípio do ano até à atual data, o coronavírus, que causa a Covid-19, domina jornais, internet e noticiários de todo o mundo. Em Portugal estivemos dias numa ânsia que houvesse o primeiro caso positivo de Covid-19, surgiu nos primeiros dias de março e desde esse dia que os casos são diariamente divulgados. Basicamente é feito um escrutínio pormenorizado dia a dia de quantos infetados, internados, mortos e recuperados. Sabemos que é um vírus novo que causa uma doença até agora pouco conhecida. Só isso gera medo, sofrimento e preocupação. Não será que estamos a dar muito destaque a uma situação que nos deixa ansiosos e assustados? Estamos perante um vírus invisível aos nossos olhos e que pouco ou nada podemos fazer, a não ser rezar para que a comunidade científica avance rapidamente com uma vacina. Nós, seres racionais, católicos ou não, podemos e devemos agir na luta do maligno visível e mais mortal que o coronavírus, que é a fome, a guerra, as depressões que levam ao suicídio, a prevenção de acidentes, o aborto, entre outras. 

O aborto, uma prática milenar que perdura, é uma senda largamente dominada por problemas éticos e políticos, que reduzem ou fazem desaparecer o estatuto do embrião humano gerado no seio de uma mulher. Há países e seios familiares em que o aborto serve de monda, como quem faz às plantas, para que as que ficam produzam melhor. Nesses países, assim como nas famílias, que decidem pelo aborto para “melhor conforto familiar dos que já cá estão”, o direito do Estado ou da cabeça do humano é superior ao direito à vida. 

O ser humano deve ser tratado e respeitado como pessoa desde a sua conceção. A partir da fecundação, a informação genética contida no genoma determina a pertença de um ser vivo a uma determinada espécie. Desde o primeiro dia, o embrião é, portanto, um ser vivo pertencente à espécie humana, rumo ao nascimento e à formação adulta. 

Em Portugal, em 2018, foram realizados em hospitais públicos e clínicas autorizadas 14 928 abortos, sendo em dez anos o ano em que a prática do aborto foi mais baixa, visto que em outros anos transatos ultrapassaram os 20 mil casos. 

Uma vez que a comunicação social não relata quantos abortos são realizados diariamente, ao invés da Covid-19, deixamos os dados do último ano que é conhecido, 2018. Segundo os dados públicos, nesse ano, no nosso país, foram realizados em média 41 abortos por dia, sem custos e sem taxas moderadoras. A média diária de mortes causada pela Covid-19 é atualmente de 12 pessoas. 

Números escondidos, não noticiados convenientemente, que deixam mancha na dignidade e pureza humana e ferem Deus, o autor da vida.

H. JOSÉ ESTEVES, In DM 26.07.2020

Publicado em 2020-07-29

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