Antiracismos e cristofobias. Contra mortos e vivos?

Pe. Aires Gameiro

O racismo de todos os tempos, religiões e cores é pouco conhecido. E o tráfico atual de seres humanos ainda menos. Quantos escravos raptados vendidos, traficados, hoje?

Importa ser contra o racismo de todos os tempos, de todos os quadrantes. Mas só vale  quando se reconhece e respeita a igual dignidade de todo o ser humano. Só relações humanizadas e cristãs podem substituir o ódio e violência em espiral de natureza selvagem dos mais fortes. A igual dignidade de todos os seres humanos até à morte natural, não exclui os nascituros, os doentes e idosos; fundamenta-se no facto de Deus criar os seres humanos à sua imagem e semelhança. Só este fundamento leva a contrariar a teoria darwinista de que se pode deixar a natureza matar os mais fracos. E que isso até seria bom.

Em todas as histórias do racismo, religiosas, cristãs e ateias, se deram passos antirracistas, mas não se aboliram todos os racismos por erros de atribuir desigual dignidade aos seres humanos segundo a cor. Quando acabará o tráfico de seres humanos? As narrativas sobre o racismo continuam omissas e ocultam desvios gritantes de violência e ódio antirracista que são também racismo. Então, só interessam vidas negras? E mata-se uma mulher por ela afirmar que todas as vidas humanas contam? Então, Jesus Cristo e Nossa Senhora, são racistas e decapitam-se as suas estátuas e desfiguram-se as suas imagens? E os santos missionários são mais racistas que quem derruba as suas estátuas?

Infelizmente muita imprensa, televisão, rádio, deitam fogo de artifício espetacular, mas não noticiam muito do que fica a arder e os porquês. A morte brutal racista de George Floyd incendiou, com razão, os media, mas logo ficou silêncio sobre violências doentias em que se misturam outras cores de racismo de desforra, desordem e violência. Matam-se mortos nas suas estátuas, cristãos vivos, crianças negras e branca no ventre de suas mães. As suas vidas já não contam.

O pastor Walter Hoy calculou que desde 1973 14.500.000 bebês afro-americanos foram assassinados pela prática do aborto por racistas de várias cores. A cristofobia gritada diante de Pilatos: solta Barrabás e crucifica Cristo, continua em todos os tempos a vender e matar “mortos” e vivos.

A Revolução Francesa vendeu catedrais para pedreiras, Cluny e Macron, por exemplo. Mas isso não interessa. Dezenas de igrejas vão sendo incendiadas hoje no mundo chamado cristão. Gente antiracista? O Vatican  News Service  (23.07.2020), refere a tomada de posição dos bispos americanos: “rezamos por todos os que causaram a destruição e permanecemos vigilantes contra isso”. “São um sinal de que a sociedade precisa ser curada”. Já a loucura marxista-leninista destruiu grande parte das igreja monumentais de Moscovo; e hoje o mesmo anticristianismo manda substituir o crucifixo e as imagens de Nossa Senhora pelas fotos de Mao e Xi Ping, em casas e igrejas na China se querem ter ajudas. A quem serve a desordem e destruição? A quem serve uma cidade insegura, em desordem, sem polícia, sem leis, e sem respeito pelos mandamentos da lei de Deus completados por Jesus Cristo; e sem reconhecimento da igual dignidade de todos os seres humanos?

Já no tempo de S. Tiago em Jerusalém; já por todo o império romano, já os perseguidores no século XX-XXI mataram muitos cristãos vivos por seguirem a Cristo e O aceitarem como o tesouro e pérola da sua vida, por quem dão tudo o mais, mesmo a vida. E contudo Jesus continua a clamar: nada de espirais de violências; não arranquem o joio, deixem até à ceifa; e a repetir: não, o peixe que não presta só se deita fora a seu tempo. Nada de vinganças e precipitações violentas de olho por olho, dente por dente, vida por vida.

Por P. Aires Gameiro, In Notícias de Beja, 30.07.2020

Publicado em 2020-07-31

Notícias relacionadas

Nem só de pão vive o homem

Pedro Vaz Patto (Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz)

A CRISTIANOFOBIA AQUI E AO LADO

Carlos Aguiar Gomes

E QUANTOS ABORTOS POR DIA?

H. José Esteves

Quem sabe, ainda um dia serei importante

Pe. Edgar Clara

“O meu tempo na prisão”, pelo cardeal George Pell

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

A pandemia e o apocalipse da Igreja

"Apocalipse" não significa "fim trágico ou dramático" mas sim "revelação", tornar visível algo que antes estava encoberto ou menos visível.

desenvolvido por aznegocios.pt