Onde é que vamos parar?

ABIGAIL VILANOVA Gestora de Recursos Humanos

Houve um qualquer momento na História recente do nosso país (já nem vou mais longe, para (literalmente) não me perder (porque quando nos afastamos muito do que é seguro, não raras vezes nos desorientamos e nos perdemos), em que viraram tudo do avesso.

E um dia acordei e vi coisas estranhas à realidade com que convivi durante a minha vida até então.

Comecei por achar estranho que a educação moral das crianças e dos jovens fosse transferida dos pais (mea-culpa dos mesmos) para as escolas.

O grupo de socialização primário que é a família passou a ser apresentado como um bicho-mau (e o lobo-mau, passou só a ser lobo... Ele há coisas...). Os valores e crenças transmitidos pelo amor dos pais e recebidos pela gratidão dos filhos, passaram a ser apresentados como insignificantes e a repudiar e deixa-se assim uma miríade de crianças e jovens (que já estão, por vários motivos sociais e culturais, meio desamparados) desenraizados e confusos.

Nesta escola para a qual acordei parece prioridade resolver a questão de que Deus não existe mesmo (ao que parece é extremamente incómodo) e ensinar-se coisas sobre a sexualidade. No sétimo ano (com 12 anos) os alunos são ensinados a colocar um preservativo e debate-se abertamente a sexualidade de cada um, e a dos outros - tudo ao mesmo tempo. “Publica-se” este assunto que, para mim, é do trato íntimo de cada um e aí pertence.

Não é relevante que existam algumas criaturas que não queiram ser expostas a determinados conteúdos e que lhes assiste esse direito? Em nome deste conceito desfocado e distorcido daquilo a que chamam liberdade, estão a constranger a liberdade do outro. Eu não forço ninguém a pensar como eu, nem tampouco “impinjo” aos outros aquilo em que creio. Falo sobre isso se houver lugar para essa conversa e, cabe a cada um, fazer as suas considerações.

Tenho ouvido muitíssimas reflexões sobre o “ponto de situação” de Portugal e do mundo, e algumas resultaram em verdades que abracei. Uma delas é esta: O corpo não pode ser dissociado da alma (ou se lhe querem chamar outra coisa, para bem do assunto, chamem).

Não haverá por aí um caso, salvo em claros transtornos psicológicos, em que uma pessoa considere que assaltarem a sua casa seja equivalente a ser vítima de abuso sexual. Porque não é a mesma coisa. Quando há uma invasão do espaço do nosso corpo, a nossa alma sente-se invadida também. O nosso corpo está intimamente ligado à nossa alma e isso serve para o bem dos dois e vice-versa.

Ou vamos agora tão mais longe quanto questionar se, de facto, há transtornos psicológicos, ou são só “maneiras de ver as coisas”?

Está para breve a aceitação da pedofilia? Porque, como já alguns “alguéns” disseram, as crianças também têm direito ao prazer. Há que ver bem do que é que estamos a falar quando falamos deste tema, para não fazer eclodir e proliferar tamanhas loucuras!

 Parece-me que a nossa sociedade está, espantosamente calma, a caminhar à beira de um precipício... Conduzida por um bando (no sentido criminoso da palavra) de lunáticos.

Quando entramos no questionamento de tudo e rejeitamos aquilo a que se pode chamar “a experiência da verdade”, entramos num caminho muito perigoso de loucura mental em que já não há certo nem errado. E, atenção, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro, pois nem em cima, nem em baixo, nem à Esquerda, nem à Direita, nem tão pouco ao Centro, se pode fugir de gente lunática, maníaca e perigosa.

Por isso, as normas existem. Para nosso bem.

As vedações não são somente colocadas para não se sair, mas igualmente para não se entrar. Há que pensar sobre isto.

Entre outras coisas, vim igualmente a descobrir que a Medicina serve, também, para matar. Pasmei-me. Ia jurar até então que os médicos salvavam vidas, que era essa a única função dos profissionais de saúde. Agora chego a ter medo deles. Não vão achar que, dada uma determinada situação, mais vale “morrer-me” e pronto, já está.

Quando foi que nos esquecemos que uma pessoa que quer morrer está, diz-nos a “experiência da verdade”, a sofrer tanto, ou mais, emocionalmente, do que fisicamente?

Quem se sente amado e querido não quer morrer - podem dizer o que quiserem em contrário, que não será verdadeiro. A morte não é per se desejável. Tanto assim é que, vejamos o caso da pena de morte: é um castigo e não uma recompensa. Então o âmago de um pedido de morte é essencialmente, um pedido de vida...

Que tal se, em vez de os ajudarmos a morrer, ajudássemos a viver?

Não é segredo que os autores destas filosofias loucas da cultura da morte não são muito apologistas da inutilidade do ser humano. Sendo assim devíamos eutanasiar todas as pessoas que recebem subsídio de desemprego? Para louco, louco e meio. Já se pensou no perigo?

Em geral, não somos alheios ao sofrimento do próximo. Deveriam ser mobilizados tantos, ou ainda mais, meios para dar apoio (em diversas frentes), como são mobilizados meios para eliminar os problemas de quem necessita desse apoio. Compreendo muitíssimo bem o desespero físico (e emocional) de alguém. Mas, tanto no caso da eutanásia, como na questão do aborto, da mendicidade ou da prostituição “de beira de estrada”, creio firmemente que o que mais urge providenciar é apoio! Em vez de, em todos estes casos, juntamente com o problema, eliminarmos a própria pessoa. Em tantos sentidos da expressão...

ABIGAIL VILANOVA, Gestora de Recursos Humanos, In DM 13.08.2020

Publicado em 2020-08-18

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