A ideologia de género é um delírio feminista

M. RIBEIRO FERNANDES

1. Há dias, ouvi uma notícia que dizia, em título: “três homens foram presos por abuso de género”. A primeira ideia que logo me ocorreu foi que fossem presos por algum roubo. Normalmente, diz-se “géneros” um qualquer produto natural, frutas, cereais, hortaliças… (é conhecida a expressão “pagar em géneros” que se referia a uma forma de pagamento em produtos que tinham, em vez de dinheiro). Mas, afinal, não era isso. Era para dizer que esses homens foram presos por agressão a mulheres. Porquê este tipo de linguagem? Sabe o que é a ideologia de género? O objectivo principal da sua luta era afirmar que os homens não são superiores às mulheres. Até aí, tudo bem, o que é diferente nunca é superior ou inferior. O problema é o amplo leque de distorções ideológicas e políticas que vêm atrás disso… Por exemplo, a liberdade de género (cada um ser livre de escolher se quer ser do sexo masculino ou feminino); o número de géneros (dantes só havia dois géneros, o masculino e o feminino, agora há 56 géneros, à escolha); o sexo é mutável e indeterminado… É por isso que a filósofa Arlene Bacarji define a ideologia de género como um delírio feminista: “estamos, hoje, a viver a loucura em que algumas pessoas pretendem fazer de seus delírios uma realidade e querem impô-los aos outros por meio de leis”. Querem impô-la às crianças, a começar pela escola, correndo-se o risco de elas, ingenuamente, acreditarem nisso (todos sabem as polémicas que a disciplina obrigatória “Cidadania e Desenvolvimento” tem provocado nas famílias, a que não parece ser alheio o propósito escondido de ser contraponto ideológico à disciplina opcional de “Religião e Moral”, o que devia levar a uma maior exigência de competência dos respectivos professores). O que recentemente se passou, quando quiseram impor a linguagem de género às Forças Armadas, através de um manual de instruções, deixa-nos envergonhados com este assomo de ousadia delirante do poder da Esquerda marxista na sociedade portuguesa. Felizmente, levaram a resposta corajosa que mereciam: o ministro foi obrigado a mandar essas directivas absurdas para o cesto dos papéis… Agora, é preciso que essa resposta se estenda a todos os níveis da sociedade onde já a impuseram, para que volte a predominar o bom senso. Por exemplo, sabe que, se for registar o nascimento de um filho, o Pai passou a chamar-se Primeiro progenitor e a Mãe passou a chamar-se Segunda progenitora? Fica, assim, eliminada a designação natural e milenar de Pai e de Mãe. A ideologia de género quer revolucionar a cultura familiar e impor a sua versão.

2. Antes de continuar, convém esclarecer que, quando falamos de ideologia feminista, estamos a referir-nos ao movimento internacional de inspiração marxista e não a qualquer acção reivindicativa de mulheres descontentes com a sua eventual situação laboral ou salarial. A expressão e conceito de ideologia de género surgem no vocabulário do movimento feminista de inspiração marxista nos anos 70 do século passado e é entendida não como referência ao sexo biológico, mas como uma representação social do mesmo. Perante a questão teórica “realidade versus sociedade”, tão em voga nos anos 70, a ideologia feminista nega a realidade e substitui-a por um conceito genérico, porque assim lhe convinha ideologicamente.

A primeira queixa do movimento feminista é acusar a sociedade de dizer que o homem é superior à mulher pelas suas características biológicas de força física, de inteligência, de ser mais ético… Então, para eliminar essa alegada diferençadecidem criar um novo conceito diferenciador entre homem e mulher, o género, um conceito abstracto que passa a substituir o conceito objectivo baseado na realidade biológica do sexo e procuram impô-lo a toda a gente. A partir daí, acaba-se o pretexto da alegada superioridade do homem. E, perante a falta de referência ao padrão biológico natural, tão natural é ser heterossexual como homossexual: é tudo uma questão de género… Respeitar as diferenças é uma coisa; dizer que é tudo igual é outra. Mas, a diferença não se pode negar. A ciência diz-nos que entre homem e mulher não é tudo igual. Embora homens e mulheres compartilhem a grande maioria dos seus genomas, há um número de genes, localizados nos cromossomas sexuais X e Y, que diferem entre o sexo masculino e o sexo feminino. E este processo faz com que os genes sejam expressos de forma diferente entre homens e mulheres. Até as doenças se manifestam de forma diferente num ou noutro sexo, pelo que, no futuro, a tendência farmacológica é criar medicamentos apropriados para o homem e para a mulher. Mais: as actividades dos nossos genes e a sua expressão em células e tecidos geram profunda distinção entre homens e mulheres, muito além da mera aparência externa ou do papel reprodutivo.

M. RIBEIRO FERNANDES, In DM 25.10.2020

Publicado em 2020-10-31

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