PORTUGAL A DORMIR

Artur Soares

Agora que o lamaçal do Congresso XXI, despejado pelos comunistas e pelo Governo PS de António Costa está assente, é hora de reflectir, de analisar.

Milhões de pessoas sabem o que pretende e do que é capaz a política totalitária, quer de extrema-esquerda quer de extrema-direita. Se esta não teve pejo em eliminar vinte milhões de pessoas para se impor, aquela precisou de abater cem milhões. E se Portugal nunca foi um país, onde em rigor, existiu a política fascista de Hitler, no pós vinte e cinco de Abril, os comunistas portugueses tudo fizeram para impor o social-fascismo (Marxismo-Leninismo) que vigorava na União Soviética e de quem Álvaro Cunhal, em Portugal, era o seu (deles) activista. Mas, graças a Mário Soares, a Sá Carneiro e ao General Ramalho Eanes, os comunistas portugueses caíram, embora chegassem a ter um primeiro-ministro – o famoso companheiro Vasco – comunista de longa data e oficial superior do Exército Português que, em devido tempo, foi afastado.

O comunismo português, apoiado pelo Partido Socialista vai andando. Os seus líderes, no pós-Cunhal, têm-se adaptado a todas as eleições: presidenciais, legislativas e autárquicas. Mas como se sabe, tal adaptação é uma estratégia usada para iludir os descamisados e distraídos. O radicalismo comunista é uma religião e tem neste seu actual líder, Jerónimo de Sousa, a pessoa que é capaz de suar seriedade, bondade e democracia para captar os incautos, os tais distraídos ou acomodados da sociedade.

Quem não recorda a lista da “matança da páscoa no Campo Pequeno”, pensada por um louco-sonhador e abençoada pelo comunismo em Portugal e pela ex-União Soviética? Felizmente que Mikhail Gorbachev deu um profundo golpe no comunismo Russo e o muro de Berlim desmoronou-se à base de máquinas e picaretas. E na Europa, comunismo é religião ou política que já ninguém pensa, porque a liberdade política, económica e social têm falado mais alto.

Quem andar atento às nossas políticas nacionais, verifica que o socialismo cá e no mundo, rasteja. O Partido Comunista Português, desde a queda do Muro de Berlim, tem sido ostracizado. Este partido chegou a ter um milhão de votos e presentemente anda pelos trezentos mil e as sondagens dão- -no já como a sexta força política no país, atrás dos Bloquistas, do Pan e até mesmo do Chega. Repare-se que dos cento e noventa e três países – creio não estar enganado no número – do mundo, só a China, Vietnam, Cuba, Laos e Coreia do Norte, têm governos comunistas! E será que estes povos votaram comunismo? Não votaram, não o querem e são obrigados a engolir o nada que têm e o nada que lhes dão.

Sendo assim – socialismo – é uma política em desuso, bolorenta, contra os direitos do homem, contra a liberdade dos povos e, na Europa literalmente dispensada, recusada…, como se compreende que o PCP tenha alguma influência entre nós e consegue ter voz alta neste Governo PS? Fizeram ou não fizeram os comunistas portugueses o Congresso XXI, em Loures deste ano de 2020, contra todas as normas exigidas pelo Governo, devido ao covid-19? Que outras actividades fizeram (também) ao longo do ano, sem qualquer respeito pela segurança sanitária de todo o país? Que poder ou que voz é esta, que põe todo um Ministério em causa, um país em causa e todas as normas europeias, incluindo as instruções da Organização Mundial de Saúde?

A resposta é rigorosamente simples: Os comunistas fizeram tudo que lhes deu na real-gana, porque comprometeram-se em não deixar cair o Orçamento do Estado de 2021, que causaria eleições legislativas antecipadas se não o fizessem. Negociaram a continuidade do Governo-Costa e os perigos coronavíricos passaram a ser mentira.

Não é novidade para ninguém a sede pelo poder deste primeiro-ministro. Mas se é lícito querer o poder, lutar pelo poder etc., ilícito é anavalhar pelas costas para obter o poder: que foi a política usada por Costa contra o seu colega de partido, António José Seguro e pelo não respeito do resultado das eleições legislativas de 2015. Sendo tudo isto verídico, vivendo o país de publicidade política partidária, onde estão as rádios e as televisões livres para livremente esclarecerem o país? Quantas horas gastaram as rádios e televisões com o Congresso comunista referido e quantas horas gastaram com as celebrações religiosas do 13 de Outubro em Fátima?

Se Portugal tem oito milhões e meio de cristãos, como se compreende que trezentos mil comunistas sejam beneficiados pela Comunicação Social, prejudicando aqueles? Mário Vargas Llosa disse bem: “Desejo a todos os socialistas a abundância da Venezuela; o salário de Cuba; a justiça da China e a liberdade da Coreia do Norte”. É evidente que amo a liberdade. Mas Portugal está a dormir.

(O autor não segue o novo Acordo Ortográfico)

Artur Soares, In DM 11.12.2020

Publicado em 2020-12-12

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