Ou a loucura desembestada

Carlos Aguiar Gomes

Volto ao AMEN E AO AWOMEN do final do meu artigo anterior, pois completei a minha informação posteriormente, precisando, mas não alterando nada.

A 117.ª sessão do Congresso americano, que se inaugurou a 2 de Janeiro pp, onde os democratas são a maioria, abriu com uma oração feita pelo Pastor Metodista, Emanuel Cleaver. Até aqui, só de louvar. O Congresso inicia com uma oração!

Em Portugal, Nação Fidelíssima, que já foi, este acto de iniciar uma sessão parlamentar com uma oração, seria de todo impensável. Como se costuma dizer, “caía o Carmo e a Trindade”, talvez houvesse mesmo um golpe de Estado laicista promovido por toda a esquerda e por uma parte significativa da chamada direita politicamente correcta perante a indiferença da outra sem coluna vertebral e vazia de valores. Mas é o que temos ou seja, o que elegemos. Entretanto (a maioria?) vai a Fátima e põe velas em todos os santos!

Voltando aos EUA e ao seu Congresso, agora com a dupla Biden/Kamala a ser apoiada incondicionalmente.

O Pastor Cleaver, inflamado, ignorante e obediente caninamente aos cânones da linguagem dita inclusiva, entendeu, na sua crassa ignorância que AMEN (palavra que vem do hebreu e entrou no latim e vigora em muitas línguas latinas ou não, significando ASSIM SEJA) deveria querer dizer “Ei Homens!” (lendo AMEN à inglesa: “Ei men!). E vai daí, para não terminar com uma saudação machista, sexista, “reza” também: Ei Mulheres!” (Awomen).

Os parlamentares americanos, sobretudo os republicanos, ficaram atónitos. E todos tinham razão para tal… Mas salvou-se a linguagem “inclusiva” que, por decisão, aprovada, de Nancy Pelosi, vai ter que vigorar no Congresso Americano. Não é anedota nem partida do 1.º de Abril que ainda vem longe.

Assim, se criou uma nova palavra sem sentido e perversa. É a novilíngua de Georges Orwell descrita em “1984”.

Como muitos celebrantes católicos destas paragens já estão sintonizados com a linguagem inclusiva (basta um pouco, pouquinho, de atenção às mudanças que se estão a introduzir nas celebrações das Missas e eu posso garantir que já ouvi muitas vezes!), para que muito brevemente, por cá, também teremos o nosso Amém (leia- e o mém por Mãe) substituído por “Olá progenitor A e Olá progenitor B).

Outro exemplo cada vez frequente é na Consagração do vinho, se substituir “fruto do trabalho do homem” por “ fruto do trabalho da humanidade” ou “ fruto do trabalho do homem e da mulher”, como se na nossa língua a palavra homem não fosse inclusiva de homens e mulheres! Aliás, é trair o texto de referência que diz, textualmente: “… fructum terrae et operis manuum HOMINUM” e cuja tradução, que foi aprovada pelas autoridades competentes e nunca alterada, diz. “… fruto da terra e do trabalho do homem…”.

Já faltou mais (ainda um dia destes, no final de Dezembro, numa Missa televisionada, o “Presidente” substituiu integralmente o Pai Nosso, desfigurando-o de forma grosseira e o povo, como carneiros amestrados, não titubeou!).

Na realidade, anda tudo de cabeça perdida. Uns porque querem, concordam e acham muito bem. Outros, a maioria, talvez, porque se recusa a pensar.

Entre nós já faltará pouco para que se crie no Parlamento uma Comissão para a Linguagem Inclusiva e tornar esta obrigatória e proibir o uso, onde quer que seja e por quem quer que seja, de linguagem dita sexista. Assim, por exemplo, deixaremos de poder usar a popular expressão: “Filhos da mãe!” e teremos que, obrigatoriamente passar a dizer: “Filhos “de” progenitor A ou um!”. Não tem graça nenhuma, pois não? Mas preparemo-nos. Amen e Awomem! 

Carlos Aguiar Gomes, In DM 14.01.2021

Publicado em 2021-01-17

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