
Pe. José Figueiredo do Vale Novais
09.08.1929 - 01.03.2026
O arcebispo de Braga
afirmou que a Igreja “acordou muito tarde” para o problema dos abusos sexuais,
deseja que os jovens participem no processo sinodal e quer continuar ou
repensar a pastoral na região no “confronto com o Evangelho”.
Em entrevista à
Agência ECCLESIA por ocasião do início do ministério em Braga, D. José Cordeiro
sublinhou que a “atitude de escuta” vai marcar os primeiros tempos, para
conhecer o “mais profundamente possível” a realidade da arquidiocese, onde se
apresenta como “peregrino do Evangelho da Esperança”, e encontrar “os melhores dinamismos
pastorais para responder ao hoje da história”.
Tudo o que existe é
para ser continuado e o que tiver de ser repensado, sempre no confronto com o
Evangelho, tem de ser”, afirmou.
O arcebispo de Braga
referiu que, diante das várias opções e projetos, é necessário fazer a pergunta
fundamental “o que é que isto tem a ver com o Evangelho?”, uma vez que “a
Igreja existe para evangelizar, a sua identidade é evangelizar”.
“A Igreja não tem a
vocação de ser organismo político ou plataforma empresarial”, sublinhou.
D. José Cordeiro
admitiu que iniciar o ministério na Arquidiocese de Braga quando está em curso
o sínodo em toda a Igreja é um “enorme desafio” e afirmou que “o processo
sinodal é irreversível”.
“É para continuar,
mais e melhor, com coragem, com confiança e com a maior esperança. A Igreja
existe para isto, para Evangelizar, em todas as suas dimensões, por maiores que
sejam os dossiers e a complexidade dos mesmos”, indicou.
O arcebispo de Braga
agradeceu “todo o trabalho realizado” por D. Jorge Ortiga nos últimos 22 anos, a
“renovação que foi feita” e disse que os planos futuros vão passar primeiro por
conhecer as várias geografias da arquidiocese, nomeadamente os 14
arciprestados, que deseja visitar nas duas primeiras semanas, e os diferentes organismos
e estruturas, assim como promover a auscultação “fora da Igreja”.
Questionado sobre a
oportunidade da Jornada Mundial da Juventude, em 2023, D. José Cordeiro disse
que os jovens devem participar no “processo da renovação da Igreja”, valorizou
a presença da comunidade académica na região, e os “dinamismos já
implementados” na pastoral juvenil.
D. José Cordeiro
referiu-se aos abusos de menores e adultos vulneráveis nos ambientes da Igreja
Católica como uma realidade que é necessário “reconhecer com humildade e até na
humilhação”, considerando tratar-se de uma “vergonha” e uma “praga na Igreja”.
É um momento muito
delicado, muito duro na vida da Igreja. A sociedade acordou muito tarde e a
Igreja também. Da nossa parte somos chamados a fazer tudo o que está ao nosso
alcance com os procedimentos que já estão em curso e as práticas de
acompanhamento, da prevenção”, afirmou.
O arcebispo de Braga
mostrou-se confiante nas iniciativas da Conferência Episcopal Portuguesa para
“enfrentar e ultrapassar” o problema dos abusos e disse que “a Igreja é chamada
a ser um lugar acolhedor, seguro e de confiança”.
Nesta entrevista, D.
José Cordeiro referiu-se também à entrada em vigor da terceira edição do Missal
Romano como uma ocasião de “consolidação da reforma litúrgica” e da “urgente
necessidade da formação litúrgica”, disse que nunca teve por horizonte “um
trabalho na Santa Sé”, onde colabora com a Congregação para o Culto Divino e
Disciplina dos Sacramentos, e que Bragança “está e estará sempre” no seu
coração, onde voltará sempre que for possível.
In Ecclesia, Braga, 14.02.2022
Foto: Agência ECCLESIA/PR

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