
Pe. José Figueiredo do Vale Novais
09.08.1929 - 01.03.2026
Ó Maria, Mãe de
Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe,
amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe
de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a
vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus,
Príncipe da paz.
Mas perdemos o
caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o
sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os
compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os
sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância,
fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença
e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas
falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas,
esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum.
Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do
nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a
tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!
Na miséria do
pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e
da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua
a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que
Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e
para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com
ternura mesmo nos transes mais apertados da história.
Por isso
recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos
filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão.
Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós:
«Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os
emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa
confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da
prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.
Assim fizestes em
Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e
introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em
tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe,
repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança,
desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade,
malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos
necessidade urgente da vossa intervenção materna.
Por isso acolhei,
ó Mãe, esta nossa súplica: Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na
tempestade da guerra; Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos
de reconciliação; Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus; Apagai o ódio, acalmai a vingança,
ensinai-nos o perdão; Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça
nuclear; Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar; Rainha
da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade; Rainha da paz,
alcançai a paz para o mundo.
O vosso pranto, ó
Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós
derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o
rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As
vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O
vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o
seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir
as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.
Santa Mãe de
Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós,
disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada
um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19,
27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta
hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem
necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio.
O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós,
enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela
guerra, a fome, a injustiça e a miséria.
Por isso nós, ó
Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado
Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia
e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei
que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso
Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma
vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da
família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e
as esperanças do mundo.
Por vosso
intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da
paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o
Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a
aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a
humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas
nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

09.08.1929 - 01.03.2026

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