
Pe. José Figueiredo do Vale Novais
09.08.1929 - 01.03.2026
Na origem da Páscoa cristã está um homem, Jesus, que Se revela ao mundo, no seu tempo, como Messias, Cristo, ungido de Deus.
Bem cedo os seus discípulos, contemplando o que Ele disse e fez, Lhe chamaram o Deus que se fez Homem. A teologia, ou doutrina que aprendemos na infância, chama-o Deus Encarnado, ou seja, Ele é Deus e Homem, o único que, passando pela morte, a venceu, e oferece a todos os que nele crêem uma vida em glória de ressuscitados.
A cultura do nosso tempo, sem valores transcendentes, propõe e força homens e mulheres a viverem sem Deus. E muitos baptizados, que frequentavam as nossas igrejas e nelas encontravam espaços de humanização e apelos a uma relação libertadora com Deus, acabaram por ceder à pressão, abandonando à prática religiosa.
Felizmente que muitos se deram conta já do vazio existencial e da falta que lhes faz o crer gerador de esperança. E há sinais cada vez mais fortes de querer voltar à comunidade que crê, porque precisa de acreditar. De facto, a experiência diz-nos que o não crer em Deus não significa que não se crê. Porque outros deuses ocupam o lugar do verdadeiro Deus. Eis-nos assim diante das superstições e crendices ou dos ídolos da moda, que pretendem ocupar todo o espaço da vida pessoal e colectiva sem deixar espaço para Deus. Em vez da Missa ao Domingo, da oração em família, do acompanhamento na comunidade eclesial, tudo o que é mundano, material e provisório se impõe como única necessidade. Assim, estamos pobres de Deus, ricos de morte, agonizantes de relações precárias.
Ao contrário, a sede de Deus manifesta-se entre nós por exemplo nas muitas manifestações religiosas à volta do Cristo que sofre. Apreciadas por auto-intitulados ateus ou agnósticos e por aqueles que abandonaram a prática religiosa.
Saudosismos? Ou à deriva à procura da porta de re-entrada? É claro que todo o ser humano, independentemente das suas crenças, se revê no inocente crucificado, o Cristo Morto e Ressuscitado, o único na história que uniu a humanidade e lhe deu a resposta mais profunda ao mistério do próprio existir.
Nesta breve mensagem, não posso deixar de referir as imagens chocantes da barbaridade humana, junto dos fundamentalismos religiosos e políticos e das suas mais evidentes consequências: o quadro negro de milhares e milhares de refugiados a quem se nega o simples direito de existir.
Páscoa feliz para todos os barcelenses especialmente para aqueles que aceitaram voltar a centrar a sua vida em Jesus Crucificado e Ressuscitado.
O Prior de Barcelos

09.08.1929 - 01.03.2026

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