
CMAB - Centro Missionário da Arquidiocese de Braga
Salama - formação de voluntariado missionário
FALECEU O PADRE JOSÉ MIGUEL TORRES PEREIRA
O pároco de Apúlia e Rio Tinto, José Miguel Torres Pereira, foi encontrado sem vida ao princípio da noite de 20 de Janeiro de 2015, no interior da residência paroquial, situada junto à Igreja Matriz da Vila de Apúlia.
O Padre José Miguel Pereira, era natural de Belinho e havia sido ordenado na sua terra natal em 1999, tendo sido nomeado para pároco de Apúlia e Rio Tinto em Setembro de 2010.
O Padre José Miguel, foi encontrado morto, na sua residência, devido ao que se supõe a uma crise respiratória aguda.
O aparecimento de uma faca junto ao pescoço, noticiado por alguns órgãos de comunicação social terá a ver com uma tentativa desesperada de desbloqueio da passagem de ar (traqueostomia), tendo a polícia afastado a hipótese de qualquer crime.
O Padre Zé Miguel era muito considerado pelos seus paroquianos, pelos seus amigos e pelos seus colegas e a notícia está a causar grande consternação.
Tinha apenas 40 anos e antes de tomar conta destas paróquias do nosso concelho, havia exercido na de Cabanelas, no concelho de Vila Verde. Ele, que era também vice arcipreste de Esposende, havia sido em tempos diretor do jornal regional Diário do Minho.
Em jeito de crónica:
quem matou afinal o padre José Miguel?Por
Manuel Vieira em http://www.novofangueiro.comA notícia da morte do Pe José Miguel Torres Pereira, encontrado caído na cozinha da residência paroquial de Apúlia, trouxe-me à memória a imagem “O desterrado”, do escultor português Soares dos Reis.
Como vivem, atualmente, os párocos?
Será o padre-pároco um desterrado?
Toda a gente fala do que fazem, não fazem, devem fazer e … sei lá o quê. Mas ninguém ousa perguntar como vivem os padres das paróquias e que estilo de vida é este que a igreja continua a “pedir”, ao ponto de não terem tempo para “estar doentes”, como se essa situação esteja fora de hipótese e seja apenas um privilégio de Deus!
Poderá um pároco dizer que durante um, dois, três fins de semana não vai celebrar as eucaristias na paróquia ou paróquias por se encontrar doente? A hierarquia considera esta possibilidade e os paroquianos serão capazes de a tolerar e aceitar?
O que pede a igreja a um padre, senão que seja um desterrado?
Que deixe a família de procedência e não pense em criar uma; que deixe a sua terra e vá para onde o mandarem; que seja de todos e não tenha ninguém a seu lado; que habite numa casa vazia cheia de tudo mas vazia de afetos; que faça, além do seu trabalho pastoral, as suas atividades domésticas ou, então, que coma sempre em restaurantes, contrate serviços de apoio ao domicílio e peça à mãe que cuide das roupas, caso não tenha uma irmã nem queira viver numa comunidade, ao estilo dos monges e outros religiosos das congregações.
Em tempos, e olhando à falta de sacerdotes, começou a dizer-se que os padres idosos estavam a morrer e os novos a matar-se.
A morte do Pe José Miguel parece confirmar estas palavras.
Esteve doente, provavelmente não teve oportunidade de se desligar das suas obrigações, teve de garantir que as suas paróquias continuassem a ter o ritmo habitual, regressou ao trabalho mesmo que não totalmente curado, até cair só, porque o padre é uma pessoa só, no chão de uma cozinha.
Quem matou afinal o Padre José Miguel? Insisto, como se a questão transpirasse ainda mistério embora transporte protesto.
Supostamente, o Padre José Miguel podia não ter morrido tão jovem…
E questiono-me: será que alguma coisa vai mudar?
Afinal, quanto vale uma vida?
Quem se interessa, verdadeiramente, pela vida de um padre e ousa mudar as regras do jogo?
Rapidamente alguém vai garantir os serviços pastorais das paróquias até que seja nomeado um novo pároco.
Infelizmente, a vida continua a ser medida pelo critério da utilidade, mesmo na Igreja.
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UM NOVO DIA AMANHECEU
HOMILIA NO FUNERAL DO PE. JOSÉ MIGUEL TORRES PEREIRA
23 Janeiro 2015 – Igreja Paroquial de Apúlia – 10h
Desde quarta até hoje, há um silêncio que nos acompanha e nos faz percorrer um caminho semelhante ao tríduo pascal. Um silêncio que nos faz sentir pequenos diante do mistério sempre inquietante da vida e nos rouba as palavras que consideramos preciosas para acalmar a dor de quem sente a partida. Um autor desconhecido do século IV, provavelmente Epifânio de Salamina, parece despir-nos a alma e traduzir os nossos sentimentos: «Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme».
Como Pedro e João, no primeiro dia da semana, corremos hoje para junto do túmulo à procura dos sinais da ressurreição. E eis que o altar desta igreja, com uma toalha branca deposta, nos recorda o túmulo de Cristo e nos compulsa a contemplá-lo sem adornos nem artifícios. Olhamos e nada vemos, tal como Pedro e João nada viram. Mas é nestes momentos que devemos caminhar ao ritmo dos discípulos de Emaús e fazer memória do que significa ser discípulo de Cristo gastando a vida por Ele.
S. Paulo, na primeira leitura, apresenta-nos Cristo como o sacerdote perfeito e o único mediador da nova aliança entre Deus e o Seu povo. Se a primeira aliança fora selada por letras, vínculos e ritos externos, a nova foi, e continua a ser, gravada com estilete no coração, ou seja, com a entrega da vida. Diz ainda S. Paulo, agora aos Coríntios, «é evidente que sois uma carta de Cristo, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo» (2 Cor 3, 3). A vida do Pe. José Miguel foi também para nós uma carta escrita mostrando o amor de Deus. Graças ao seu ministério sacerdotal, e importa reconhecê-lo sempre, de tantos outros sacerdotes, descortinamos a aliança que Deus estabeleceu com a Humanidade. Ser presbítero significa, neste sentido, incendiar o estilete com que Deus grava a Sua lei de amor no nosso coração e, por nosso intermédio, no mundo.
O Evangelho segundo S. Marcos sublinha outra ideia igualmente profunda. Jesus «chamou à sua presença aqueles que entendeu e eles aproximaram-se». chamou-os para andarem com Ele e eles aproximaram-se. Só posteriormente os enviou a pregar e libertar os oprimidos. Segundo Marcos, a ideia de estar com Jesus é o pilar do discipulado cristão. Diria mesmo que, para um cristão, e com maior propriedade para
um sacerdote, estar com Jesus é imprescindível. É aquilo que cunha a nossa identidade e dá sentido aos nossos gestos e opções de vida.Talvez muitos não compreendam a razão pela qual um jovem, desde tenra idade, entra para o seminário. Talvez não compreendam também a razão pela qual gastar energias a servir, a escutar e a cuidar de um povo quando tantos outros projectos de vida são igualmente fascinantes. A razão é apenas uma. Opta-se pelo melhor. E o melhor, para um coração sacerdotal, é Cristo. É essa liberdade de coração, esse prazer genuíno de estar com o Mestre, que irradia para os demais e mostra a alegria de viver a fé ardentemente sem ambiguidade.
Mas, caríssimos irmãos, Deus chama a toda a hora. Sei que esta hora nos parece demasiado cedo para o último chamamento. Mas permitam-me que termine de citar a homilia de Epifânio de Salamina. «Levanta-te, tu que dormes [...]. Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos». Com esperança cristã, acreditamos que o Pe. Miguel se encontrou com a Vida e, por isso, intercede agora por nós, como tantas vezes o fez nas eucaristias desta comunidade.
Que este momento de comunhão fraterna em Cristo fortaleça a nossa unidade, uma vez que estamos a celebrar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Fazemo-lo com a frase bíblica «Dá-me de beber!». Por diversas vezes, os evangelhos falam da sede, da água e do acolhimento das necessidades. Neste encontro particular entre Cristo e a Samaritana, sobressai o movimento de Cristo que vai ao encontro e pede que lhe dêem de beber. Hoje o mundo necessita da nossa
unidade. Unidade com Cristo e, por Ele, com toda a comunidade sacerdotal e eclesial. Só unidos seremos água viva que responde à sede de um mundo que pretende viver sem Seus. São tantos os problemas e as expectativas. Ninguém sozinho consegue ser resposta adequada.A vida do Pe. José Miguel foi breve, é certo, mas tudo foi cumprido. Deu-se até ao fim, amou até ao fim. Tudo está consumado e agora vive ressuscitado. Que isso nos inspire, nos conforte e nos una na mesma fé e nos diga que, por Deus, a alegria do Evangelho deve chegar a todos.
António Correia de Oliveira, um poeta do século XX que se fixou em Esposende, escreveu certa vez: «É certo! Um novo dia amanheceu // Mas, para o amanhecer, quanta negrura! // quanto inferno de sombra e de amargura! // E quanto purgatório, antes do céu!».
Pe. Miguel, cedo para ti o dia amanheceu, quanta negrura antes do céu. Mas agora que vives entre os esplendores da luz perpétua, onde desaparecem as sombras da amargura, toma conta de nós e continua a amar-nos com o teu coração sacerdotal e faz com que em todos os sacerdotes e cristãos da Arquidiocese se intensifique o gesto de estar com Jesus para, depois, alegre e corresponsavelmente, o darmos a quem tem sede d’Ele, ainda que não o diga. Intercede por nós junto de Deus para que a Igreja Arquidiocesana, através de uma fé vivida, por sacerdotes e leigos, seja verdadeira fonte onde todos se saciam e saboreiam o amor de Deus. Aqui e agora queremos ser uma coisa contigo. Devolve-nos a graça de uma Igreja unida na mesma fé e que o amor entre nós vença todas as dificuldades, inclusive a dor que a tua morte, inesperada e incompreensível, gerou.+ Jorge Ortiga,
Arcebispo Primaz
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