PE. ALCINO DA CUNHA PEREIRA

In Memoriam - N. 22-01-1928 F. 31-01-2016

Rápida e directa, assim correu a notícia, no domingo à tarde: «morreu o senhor padre de Carapeços». O P. Alcino da Cunha Pereira faleceu aos 88 anos de idade, tendo passado a maior parte do seu ministério sacerdotal em Carapeços e Santa Leocádia de Tamel. Porque baptizou, casou, sepultou, educou, corrigiu como um pai, amou como uma mãe, ao longo de décadas, ocupava um lugar único no coração das pessoas. Porque «único» é um sacerdote numa Paróquia que «cura» gerações seguidas. Quando jubila (a reforma, legítima para todos os que trabalham, não «atinge» o sacerdote, «formatado» que foi para um serviço dedicado, desinteressado e intemporal), ele apenas «aligeira» o peso do compromisso pastoral, já que este, uma vez iniciado, cava a profundidade do ser, de modo que o padre trabalha até à morte.

Compreende-se, então, o lugar único que um sacerdote ocupa no coração dos paroquianos. Um lugar que, até na maledicência injusta e acusadora, se lhe reconhece.

O P. Alcino era uma referência. Os seus 45 anos como pároco marcaram gerações que, passada a missão a outro, o continuaram a ver sorridente e contemplativo, serviçal e tranquilizador. A morte encontrou-o no seu posto. E a trabalhar ele morreu. Sem as responsabilidades de pároco, o P. Alcino tinha gosto em dizer sim ao convite dos colegas. E foi num domingo cheio, ao final de mais um serviço de funeral presidido a convite de um colega, que, de regresso a casa, estaciona para tomar um café. Ao que consta, atitude habitual e apreciada. Estacionado o carro, sai e cai por terra: foi o seu último encontro que, do toque do chão frio, o catapulta para os braços amorosos de Deus Pai. Sim, o tempo dos homens registará a vida do P. Alcino como fim no dia último do mês de Janeiro. Na fé que ele viveu e pela qual deu a vida, 31 de Janeiro torna-se a data para a memória dos homens, que continua na geografia e no tempo que sabemos contabilizar. Na Eternidade de Deus, o P. Alcino já não é o «avozinho», o «velhinho», mas o servo fiel que o Senhor convidou para a sua mesa.

Dou graças a Deus pelo que recebi do berço: um velhinho que passa, uma pessoa doente ou fragilizada tem um direito único a ser respeitado, que a sabedoria adquirida pela experiência de anos lhe justifica o estatuto, o referencial de que as gerações mais novas sempre precisam.

Ao P. Alcino só conheci há pouco mais de uma década. Ouvi boas referências dele. E a presença de tantos sacerdotes no seu funeral é apenas um sinal do que ele era e do que dele se dizia e diz: homem sábio, inteligente e culto, que nos deixou vários escritos fruto da sua dedicação ao estudo, interessado sempre em saber, sempre cultor de um espírito crítico, bem humorado, amigo sincero, serviçal para com os colegas. Foi de um homem bom e justo que tantos e tantas se quiseram despedir, continuando agora nas memórias humanas de todos aqueles que fazem constante memorial de Jesus morto e ressuscitado.

O P. José Novais, seu condiscípulo e colega de todas as horas, tinha-me sugerido que o seu aniversário (88 anos) celebrado na sexta, 22 de Janeiro, mereceria que lhe fizéssemos uma surpresa. E foi à mesa que lhe pudemos cantar os parabéns, depois da contemplação da natureza em terras limianas.

Várias vezes o P. Alcino celebrou missa nas várias igrejas da cidade. Sempre estava disponível e até respondia com o gosto de um servir totalmente desinteressado.

As gentes de Barcelos, gratas a quem as serviu, louvam o Senhor da Vida pelo dom sacerdotal que o P. Alcino acolheu, reza por ele e com ele na comunhão de santos, que a morte fortalece, e une-se comungando da dor da família que sente a sua partida.

  7 de Fevereiro de 2016 

O Prior de Barcelos - P. Abílio Cardoso

Publicado em 2016-02-09

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